crónicas e valoraçons da caravana a ceuta 8/11/2005

participante , 08.11.2005 02:14, (Id: 5027) | galiza.indymedia.org

Nom tivemos oportunidade estes dias de colgar neste indymedia as crónicas e valoraçons que fizemos desde o nodo galego da caravana europeia contra o valado. Ai vam.


Um policia observa a caravana. Ao fondo, um bairro de Ceuta

PRIMEIRA VALORAÇOM:
(sábado, 5 de novembro)

Olá a todxs.

Saudos desde Ceuta. A Caravana Europeia contra o Valado deu começo ao seu decorrer por terras ceutis na manha de hoje. A denuncia da situaçom criada por um sistema económico que fomenta diferenças e desigualdades exponenciais.O Valado que a Europa Fortaleça vem de levantar para perpetuar a opulencia e a mal chamada sociedade do bem estar -por outra parte insostivel sem a aportaçom da força de trabalho migrante- era o objectivo em essencia de umha marea de coleticvos, entidades e individuos que acadarom dar forma e fazer visível a indignaçom e a solidariedade activa com xs nossxs irmaos subsaharianxs.

O enorme esforço de cooperaçom e coordenaçom firmado por colectivos e nodos de diferentes partes do Estado (Catalunya, Galiza, Madrid, Andalucía) e de Europa convirte ja em um exíto umha convocatoria nunca antes levada a praxe no estado espanhol que vem a evidenciar a conveniencia do trabalho em común.

Desde Ceuta, contra os valados, as mortes e as mentiras. Contra a Europa do Capital e a globalizaçom assasina.

Seguimos. Tumbemos o valado.

Antón Gómez-Reino Varela, Rubem Centeno Paradela e Xose Antón Moure Ferreiro.

CRÓNICA
(sábado, 5 de novembro)

Olá amigas. Ao redor de 500 pessoas chegadas de muitos sítios agolpavamo-nos no centro de embarque de Algeciras com destino a Ceuta esta manhá. Os férreos controlos por parte das autoridades (scannares, controlo de equipagens, etc,) e a notícia de que a nossa chegada era portada no principal diário local de Ceuta nom auguravam um bom recebimento por parte dos seitores mais reaccionários da populaçom do enclave colonial. A colorida marcha, onde predominava o laranja das camisolas com o lema "nom ao valado" começou no centro de Ceuta precedida por um combativo Sound System. Os protestos de alguns habitantes do enclave colonial desde os carros e as casas tomavam corpo nas frasses de "iros de aquí" ou "llevaros a los negros a vuestra casa". A medida que a marcha abandonava o centro da cidade para internar-se nos bairros musulmans, os protestos converterom-se em sorrisos e aplaussos. Muitos rapazes destes bairros excluidos forom-se somando à manifestaçom, e alguns condutores ofereciam os seus transportes para os manifestantes. A tenssom foi aumentando a medida que a longa serpe de manifestantes chegava ao lugar dos valados onde 6 imigrantes foram assasinados a tiros semanas atrás. Um cordom de antidistúrbios da Guarda Civil impedia o passo. Ao longe, no lado marroquino, dúzias de agentes à paissana da Securitè National marroquina vigiavam os acontecimentos. Como o cordom poliicial nom possibilitava o passo, umha delegaçom dos manifestantes depossitou flores no lugar dos assasinatos como homenagem a uns mortos que simbolizam os milheiros de seres humanos que morrerom estes anos no Estreito. A tiros ou afogados. Vítimas de um regimem de fronteiras excluinte e fascista. Mentres os centos de manifestantes gritavam "assasinos", os agentes da Guarda Civil, cumpriam a sua funçom: defender a sangue e lume as fronteiras da Europa Fortaleça. Nisso parece consistir a democracia na maravilhosa Uniom Europeia. Hoje impedindo o direito de manifestaçom. Onte -e quem sabe se manhá- disparando a civis desarmados cujo objectivo é procurar umha outra vida melhor.

A marcha toma esta tardinha o caminho cara o Centro de Internamento Temporal de Imigrantes (CETI) onde se encontram retidos e ameaçados de expulssom aqueles subsaarianos que conseguirom saltar os valados semanas atrás. Seguiremos informando.

(noite e madrugada do 5 de novembro)

A marcha chega de noite, tras 6 km de caminhada ao CETI, onde se encontram retidos 400 migrantes, todxs elxs ameaçadxs de expulssom. O emocionante encontro materializava-se num intercámbio de gritos de apoio e aplaussos entre manifestantes e migrantes, a um e outro lado do valado que arrodeia o CETI.

A caravana estabeleceu o seu acampamento numha chaira próxima ao CETI. Até as 11 da noite -hora na que os migrantes tenhem que ingressar nas instalaçons do CETI- o acampamento converteu-se numha festa de confraternizaçom entre migrantes e manifestantes onde agromou a nossa raiva, debilidade e impotência ante este estado de coisas. A delegaçom galega entrevistou-se num encontro informal com migrantes procedentes da Índia ou Bangladesh, os quais chegarom a Ceuta após atravessar África numha viagem-penúria na que invertirom 2 anos e todos os seus aforros. Também falamos com Abdulaye, de Costa de Marfil, que ainda conservava nas suas mans as feridas produzidas polos espinhos que o separam de Europa. Abdulaye é quase um rapaz que escapou da guerra civil que asola Costa de Marfil. Encontra-se absolutamente só, numha situaçom de desolaçom total. Leva meses sem poder contactar com os seus pais, nom sabe se estam vivos ou mortos. O governo espanhol rechaçou a sua solicitude de refúgio político, e sobre el pessa a ameaça da expulssom...mas a onde? nom o sabe ninguem.

A desolaçom e a impotência também agromou em nós, quando iam ingressando a dúzias nas instalaçons do CETI. Umha situaçom repugnante: nós, privilegiados "solidários" da Europa, vendo-os a eles, fechados, privados de movimento, de direitos, de dignidade. Como em um zoológico.

(domingo 6 de novembro)

Pola manhá organizou-se no acampamento umha assembleia onde falarom aqueles migrantes que quisserom. Quedou clara a sua petiçom de serem arroupados para evitar as deportaçons: papeis para todxs! Também estabeleceu-se umha lista de contactos em Europa, da que participa a delegaçom galega, para estabelecer redes de apoio a aqueles que logrem sair do CETI e cruçar à península.

Ao meio dia desmontou-se o campamento e a marcha foi em manifestaçom até a delegaçom do governo. Produzirom-se diversas provocaçons e vários momentos de tensom nas ruas de Ceuta, um deles protagonizado por um energúmeno procedente do quartel de Guarda Civil. O delegado do governo recebiu a umha delegaçom da caravana na que se limitou a dizer que se ia cumprir a legalidade vigente em matéria migratória e a proteger a "boa" actuaçom das forças de segurança espanholas. Patético talante zp.

Por último resaltar o vivido no ferry de volta. A Guarda Civil procedeu a estabelecer um lento controlo de equipagens e documentaçons na zona de embarque, o que produziu que o ferry saira com umha hora e meia de retrasso. A retençom dalguns companheiros indocumentados, ou a intençom de dar orde de saida ao ferry quando muitos dos manifestantes nom lograram aceder a el, provocou um amotinamento nas instalaçons de embarque, com carreiras, tumultos e chegada de vários retens de antidistúrbios da Guarda Civil que tomarom as instalaçons. Mas, ao final, logrou-se que todas as participantes puderam aceder ao ferry. A nossa chegada a Algeciras foi recebida por um grupo reaccionário de cidadáns de Ceuta que volviam a casa. Recebirom-nos com "escupitajos" e insultos do estilo "putas, llevaos a los negros a vuestra casa".

O fascismo que agroma em certos seitores da sociedade ceuti (nom toda) tem a ver com a sua própria situaçom socioeconómica: vem na defessa da "espanholidade" o único que lhes dá poder como seres humanos: eles também, dalgumha maneira, som vítimas do regimem de fronteiras. Perfeito caldo para o fascismo.


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